
O Menino
Já tive sonhos e foram tantos que de muitos nem me lembro. O tempo foi passando e fez questão de apagar seus encantos, levou consigo a ingenuidade de menino e fez de mim o retrato de cada detalhe vivido. Não tenho certeza se sonhei pouco e quem sabe senão tivesse acordado, tivesse hoje maiores esperanças.
Olho-me no espelho e vejo um rosto comum e sem marcas, tento lembrar agora o que fiz de melhor e minhas recordações não me trazem lá grandes aventuras. Vivi de menos, agi de menos e acordei cedo demais.
Agora me sinto perdido, cercado por uma realidade crua e sem qualquer tipo de fantasia.
Acostumei-me a ler livros e fazer de suas aventuras, minhas! Tanto que esqueci de viver e me perdi em meio a fabulas mirabolantes nostalgicamente conformado com minha posição expectadora.
Tenho muitas saudades dos tempos em que eu era O Rei do Mundo, gostaria muito de me reencontrar nesta posição, nem que seja da mesma forma infantil como antes, onde eu controlava todos os detalhes e os desfechos de minhas imaginações. Lá eu conseguiria ser o mago, o herói, o vilão e o coadjuvante, eu era tudo e todos, nada me podava e tudo se moldava exatamente como eu queria.
Como era bom pode viver cercado pelo conforto da inocência, eu não tinham a menor expectativa e não me cobrava nada. Tudo era simples e todos os problemas me pareciam fáceis de resolver.
Alguns anos se passaram e eu cresci, perdi quase toda a inocência, não penso em nada além daquilo que irá me dar algum tipo de resultado, sou quase homem, não sou porque não me vejo como tal, sou apenas um menino, mas não o mesmo menino que antes colocava o mundo a seus pés e fazia dele seu parque de diversões, sou apenas um menino, mas um menino sem sonhos... cansado, frágil e amedrontado.
Apenas um menino que faria tudo para neste instante poder fechar os olhos e imaginar um céu cheio de estrelas e arrancar delas um bom motivo para recomeçar a sonhar...
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